28
Sep
Nada como o aconchego do lar! Você chegar em casa quando tá friozionho e encontrar a comida pronta. Sentar, comer e depois se jogar no sofá e coçar a barriguinha enquanto vê televisão. Bons tempos… Essa vida não me pertence mais. Até porque hoje eu nem consegui chegar em casa, eu sou uma anta, burra, mentalmente desprivilegiada e esqueci a chave, dentro de casa. Mas esse no momento não é aonde eu quero chegar.
O que eu quero dizer é que a vida de um intercambista é deprimente. E não é só alegria como todas as pessoas que vêem as minhas fotos do Facebook pensam. Resumindo, eu estou com fome. E tenho vergonha de sair pegando comida na casa alheia, porque afinal de contas, aqui é a casa alheia. Sair do meu quarto, subir as escadas e abrir a geladeira pra mim, é como estar no filme “Missão impossível”. As coisas pioram quando eu decido comer alguma coisa. Este é o momento em que todos pensam que eu não estou sendo alimentada. Não é isso, é que eu sou babaca e tento comer escondida.
É mais ou menos assim que as coisas funcionam: Eu saio do meu quarto e todo cuidado pra não fazer nem um barulho, passo lentamente pelo cachorro, subo as escadas e pulo o degrau que range, vou silenciosamente até a cozinha. Quando eu chego até a cozinha já me sinto super feliz, porque eu cumpri a primeira meta. Como já dito no texto anterior, azar é meu nome do meio. Então tem sempre alguém na cozinha pra estragar meu plano infalível e pra achar que eu sou meio psicopata, afinal, eu cheguei lá sem fazer nem um barulho. Como meu plano foi destruído eu tenho que enrolar fingindo que eu to morrendo de cede e ficar tomando água. Aí quando a pessoa finalmente sai da cozinha eu abro a geladeira, pego comida, no estilo Terry fox, tipo mais rápido que o flash. Mas infelizmente eu não tenho bons reflexos, então eu acabo batendo em varias coisas e derrubando as coisas e fazendo muito barulho, estragando meu plano perfeito.

